Um dia acordou,
olhou para a janela
e de mil cores pintou
o que via através dela.
Um rio,
uma árvore,
lá foi pintando ao frio
tudo o que via lá fora.
No que pensava não sei,
mas sei que tem sentimentos.
Pois como pintava tão bem,
não pensava em tormentos.
Joana Barum
(10/11 anos)
Para além de todas as lamechices que sinto, mas finjo sempre que não sinto, para além do sentimento habitual de (quase) todos os filhos em relação aos seus pais, o meu pai sempre foi, para mim, um artista.
Sempre teve jeito para tudo o que era arte... De modelismo a quadros a carvão, passando pelos cenários dos espetáculos da patinagem, tudo o que se propunha a fazer era extraordinariamente bem feito.
Tem um gosto diferente, chamam-lhe visionário, mas, de uma maneira geral, acaba por conseguir agradar a todos.
Infelicidades (ou não, depende do ponto de vista) da vida e consequentes felicidades, fizeram com que ele acabasse por ter mais tempo livre e decidisse começar a investir no que gosta.
Está a dedicar-se a trabalhos a esferográfica! Tem já várias linhas, vários trabalhos e, à partida, vai fazer em breve uma exposição da linha de trabalhos geométricos, que já tive oportunidade de vos mostrar por aqui.
Acho que sou a sua seguidora mais difícil, mais esquisita, que tem sempre uma crítica a fazer. Prefiro os trabalhos mais simples, com menos misturas de cores, apesar de a opinião geral ser muitas vezes contrária à minha.
Mas existem, claro, 2 ou 3 quadros dele que eu ADORO! Como em tudo, a prática leva à perfeição, e acho que as suas linhas estão a ficar cada vez mais coerentes e interessantes.
Para além da "gama" geométrica, tem feito também alguns quadros relativos a pormenores de monumentos ou edifícios que vai fotografando. Um destes é o meu preferido de todo o sempre! A reprodução de uma fotografia do Stonehenge. Quando mo enviou digitalizado por e-mail achei que tinha enlouquecido de vez. Aquela digitalização ficou tão esquisita que me parecia que metade da cor e das linhas tinha ficado presa na impressora. Mas ao vivo, a coisa piava de maneira diferente. Um misto de paisagem lunar e rabiscos... De tal forma absorvente que, às tantas, nem sabemos bem que tipo de material está ali a ser usado. É, sem dúvida, um dos melhores quadros do meu pai!
Aliás, dele não, meu! Que foi de boca aberta que desembrulhei isto, na noite de Natal:
Stonehenge
Vitor Barum, 2012
Sou suspeita, eu sei...
Mas para mim está absolutamente perfeito!
A efeito da moldura, o enquadramento... Vai assentar que nem uma luva na minha sala!
O meu maior desejo para 2013 é que este projeto do meu daddy dê alguns frutos.
Acima de tudo pela realização pessoal, pelo tempo (e algum dinheiro) investido, por ele estar, finalmente, a fazer o que realmente lhe dá prazer.
E a prenda de Natal que ele pediu? Uma caixa de lápis da Caran d'Ache. (para quem não conhece são aqueles lápis que usávamos em miúdos que, se molharmos o bico, pintam a aguarela)
Por isso, 2013 vai trazer, seguramente, uma nova gama de trabalhos.
Mi aguárrrrrdem! ;)
Desculpem a má qualidade da fotografia.
Mas estava tão ansiosa por vos mostrar isto
que nem me preocupei em arranjar as melhores condições para fotografar.
Mas vá, disponibilizo a minha humilde casa para verem a obra-de-arte ao vivo!
Qual Monalisa...!! :p